Nuvens escuras filtram o pouco que resta de luz. Enquanto escrevo, a cor cinza escuro vai definhando em negra noite. Chove. Ainda há pouco era uma chuva quase invisível, excepto pelo reflexo dos candeeiros no espelho do chão molhado. Mas fui interrompido duas vezes durante a escrita e, agora, através da janela do café, já posso sentir nos olhos a sua paixão desmedida pela terra. Segue louca de amores, impulsiva céu abaixo, e deixa-se levar pela inclinação da aldeia à procura de frestas por onde despejar-se em amor mais profundo no coração da terra. Foi então que reparei novamente nos candeeiros: tremem sobre o alcatrão. Não os culpo. Eu também sou tímido e ponho-me logo a tremer quando vejo a natureza tão apaixonada.
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