terça-feira, 3 de janeiro de 2012

A herança dos nossos filhos

Todos os sentidos focados num só ponto menor que eu, mas que me contém além do que me posso ter em mim. Como é possível? Olho para ti ao meu lado e penso não sou eu. És mais do que eu sou, mais do que este pouco que fica a te olhar, a reconhecer-se nos teus gostos, nos teus gestos, na tua voz. Como eu te dei tanto de mim sem saber? Que mistério imenso. Gente daqui para trás no eterno até o começo dos tempos e todos os nossos em nosso sangue a culminar no teu. Tens toda a humanidade em ti, que foi a herança que te dei. Fazer o quê? Era só o que eu tinha para o teu começo. E como todos nós, chegaste também com o teu grito de confrontação para que nos lembrássemos do destino. Vou-te dizer uma verdade. Não vais entendê-la agora, mas vou-te dizer assim mesmo que é minha obrigação: nós não nascemos para o mundo, nascemos para confrontá-lo. Sim, é isso mesmo, ouviste bem. Mas agora esquece. Vai viver a alegria que ainda é cedo para todo este excesso de humanidade. Há tanta vida a te chamar lá fora. Ouves? então vai.

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