segunda-feira, 28 de novembro de 2011

As visitas que não vêm

Uma tarde vazia, sem alma. Comigo tudo bem, obrigado. Do Largo já não posso dizer o mesmo. Há uma obra em andamento lá fora e homens que trabalham para regenerar a parte ferida do corpo de Trancoso. São os responsáveis pelo pulsar mecânico de hoje. Aqui dentro, uma máquina a ranger os dentes com a boca cheia de grãos de café e o tilintar das chávenas recém-lavadas que vão sendo arrumadas no devido sítio. Enquanto a noite espalha-se pela aldeia vou tentando descobrir o que ela poderia herdar de uma tarde assim. Se calhar… Não deve herdar nada. Talvez nem seja preciso. A natureza cumpre a sua condição e ponto final. Eu? já disse que estou bem. Excepto por esta repentina preocupação com o Largo de Trancoso. Deu-me pena ver o lugar assim. Deve ter sido por causa do edifício em obras. Causou-me certa impressão vê-lo coberto de curativos verdes. Lembrou-me um doente internado a esperar as visitas que não vêm.

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